18/06/2026

Além do Achismo | Inteligência Emocional é Recurso para Alta Performance com Fabrício Chiqueto

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A conversa parte de uma constatação que Rodrigo traz logo na abertura: líderes repetem que "gente é o ativo mais importante" — mas na mesa de diretoria não há dados para tomar decisões sobre pessoas. Fabrício Chiqueto, Head de Gestão de Pessoas do Grupo Machine Engenharia, entra exatamente nessa tensão: como sair do achismo quando o assunto é gestão de pessoas.

Fabrício tem uma trajetória incomum. Começou empreendendo, passou pela operação "atrás do balcão" — como ele mesmo descreve —, estudou psicologia organizacional e acumulou mais de 300 projetos de estruturação em empresas pelo Brasil antes de assumir a posição que ocupa hoje no Grupo Machine. Esse percurso moldou uma visão pragmática: gestão de pessoas não é tema de RH isolado, é fundação de resultado.

Estrutura antes de tudo. O ponto que Fabrício retorna ao longo de toda a conversa é estrutura. Não no sentido burocrático — ele chama de "feijão com arroz": quando um colaborador chega na empresa, ele sabe o que vai fazer, qual ferramenta vai usar, o que vai entregar e quando vai apresentar resultado. Sem isso, a pessoa faz o que acha certo. E aí o achismo entra por outra porta.

Ligado à estrutura está o conceito que ele chama de autonomia responsável: dar uma missão clara, estabelecer os recursos, definir o prazo de entrega — e então ouvir o colaborador apresentar o próprio resultado. Esse movimento cria autorresponsabilidade e gera dados reais sobre desempenho, em vez de avaliações pontuais que chegam enviesadas.

Inteligência emocional como base de performance. Fabrício diferencia inteligência emocional de gestão das emoções. A segunda vai além: é saber o que se espera de cada ambiente, projeto e situação — pessoal ou profissional. Quando o profissional tem essa clareza, ele trabalha com menos atrito interno e entrega mais. Para as lideranças, isso se traduz em uma pergunta prática: você conhece quem está no seu time, ou apenas sabe o que essa pessoa faz?

Teste de perfil comportamental como ferramenta, não como veredicto. Com formação em psicologia, Fabrício reconhece a crítica de que testes de perfil não captam toda a complexidade de um indivíduo — e concorda, até certo ponto. A posição dele é direta: ferramenta é ferramenta. Serve para resolver um problema, não para definir uma pessoa. Quando bem aplicado, o mapeamento comportamental ajuda a entender por que alguém não está entregando, como comunicar melhor com esse profissional e onde ele pode performar melhor dentro da empresa. O Grupo Machine usa o IProfile com esse objetivo — inclusive para embasar decisões de feedback, promoção e desligamento com histórico documentado, não com impressão do momento.

IA não substitui o humano — mas exige mais dele. Fabrício participou de debates sobre inteligência artificial nos Estados Unidos e traz uma visão equilibrada: a IA veio para agregar método e estrutura, não para pensar no lugar das pessoas. O risco que ele aponta é o da preguiça cognitiva — pessoas usando IA para evitar o esforço de pensar, de se comunicar, de tomar decisão. No ambiente corporativo, isso se agrava quando informações sensíveis da empresa alimentam sistemas externos sem critério. A resposta para ele é a mesma de sempre: estrutura. Saber o que entra, o que sai e para onde vai.

O case do Grupo Machine. Com quinze anos de mercado em um setor reconhecidamente difícil — construção civil, com desafios constantes de mão de obra, prazo e complexidade operacional —, a Machine passou por uma reorganização de gestão que incluiu a adoção do IProfile como sistema de gestão à vista. Fabrício descreve o uso prático: dashboards ativos que mostram o que cada colaborador está fazendo, métricas de entrega acompanhadas em tempo real, e uma pessoa da área de qualidade treinando o time internamente. O ponto que ele destaca não é o sistema em si — é o que o sistema torna possível: chegar a uma conversa de aumento, promoção ou desligamento com dados na mão, não com opinião.

A conversa encerra com uma frase que resume o episódio: "A gestão de pessoas muda quando eu deixo de tomar decisões com base no achismo — porque aí eu terei clareza do resultado esperado. E a inteligência emocional dá resultado porque é onde você constrói a mentalidade para saber como trabalhar."


Sobre o convidado:
Fabrício Chiqueto é Head de Gestão de Pessoas do Grupo Machine Engenharia e Diretor de Tecnologia e Inovação da APSE (Associação de Empresas do Espírito Santo). Com formação em psicologia organizacional e trajetória como empreendedor e mentor estratégico, conduziu mais de 300 projetos de estruturação em empresas. Encontre-o no Instagram como @FabricioChiqueto.

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